Brasil avança no desenvolvimento de projetos heliotérmicos

Durante a quarta edição do Dia da Indústria Heliotérmica, realizado em São Paulo nos dias 16 e 17 de agosto de 2017, especialistas fizeram um apanhado geral sobre os projetos heliotérmicos atualmente em desenvolvimento no Brasil. Foram apresentados diferentes tipos de aplicações e possibilidades para a heliotermia no Brasil, tanto no âmbito da produção de energia elétrica como no de utilização

Através da chamada 19/15 da ANEEL, a Companhia Energética de São Paulo (CESP) é a proponente de um projeto de 2 anos para a construção de uma planta piloto de concentradores de cilindro parabólico de 0,5MW para compor o complexo energético de Porto Primavera, no extremo oeste do estado de São Paulo. A usina tem capacidade de 1540MW hidrelétricos, com adição de energia eólica, fotovoltaica e, agora, heliotérmica. Segundo o representante da Companhia, Luis Alexandre C. Paschoalotto, o objetivo do projeto é avaliar quais os componentes passíveis de nacionalização e estudar a complementariedade desta usina com outras fontes renováveis. Atualmente, o projeto está em fase de terraplenagem para a instalação dos espelhos. A ideia é que até o final do ano sejam iniciadas a montagem dos equipamentos.

A Companhia Hidrelétrica do São Francisco apresentou a Torre Solar Um, parte do Centro de Referência em Energia Solar de Petrolina (CRESP). Segundo Alcides Codeceira Neto, hoje, a energia solar contribui com apenas 0,02% da matriz energética nacional. O projeto da CHESF servirá como base de conhecimento para desenvolver Pesquisa e Desenvolvimento, testando novas tecnologias e processos.

Em seguida, Francisco Mateus Miller, da Petrobras, apresentou a construção de uma planta piloto de 1 a 3 MW em Macaé (RJ). A escolha do local foi feita a partir de uma medição da empresa e da disponibilidade de espaço físico para a construção da planta. A região apresenta DNI acima de 1800 KW/m2 e já possui uma termoelétrica da empresa. A tecnologia Fresnel foi escolhida por sofrer menor influência de variações de radiação solar, sendo capaz de manter a produção mais estável, além da produção de espelhos planos, que são mais fáceis de serem encontrados na indústria nacional. A usina terá armazenamento térmico 1h, para contornar variações da radiação.

Saulo Finco (CTI) e Marno Lockheck (PUC-PR) falaram sobre um novo conceito de motores para a indústria de energia heliotérmica. Segundo Lockheck, a maioria das usinas térmicas já trabalham no limite teórico de eficiência, uma vez que a tecnologia já está madura e consolidada. Portanto, soluções inovadoras para melhorar o processo são de interesse das indústrias. Para eles, no que concerne à energia heliotérmica, o impacto da eficiência de cada componente para a construção da usina deve ser analisado, e não o custo de operação, pois o combustível é gratuito.

Por fim, a Associação Brasileira de Energia Solar Térmica, ABRASOL, apresentou o projeto Solar Payback, projeto alemão coordenado pela BSW  em quatro países: Brasil, México, Índia e África do Sul, que conta também com o apoio da AHK nesses quatro países. O objetivo do projeto é mapear processos de aquecimento solar no país, especialmente de indústrias que utilizam água aquecida. De acordo com Rafael Campos, vice-presidente da associação, “a energia solar térmica contribui para a renovação energética da matriz energética nacional”, uma vez que representaria 1,4% da utilização de energia no país se convertida em energia elétrica.