Usina Shams inicia diversificação da matriz energética nos EAU

Na Região Oeste de Abu Dhabi, 258 mil espelhos formam o núcleo de uma das maiores usinas heliotérmicas do mundo, utilizando a tecnologia de calha cilindro-parabólico. Em 2013, a usina SHAMS 1 foi inaugurada: a planta opera com capacidade de 100 megawatts, juntamente com 50 MW provenientes de gás natural, permitindo a geração de energia à noite ou em dias nublados.

"A inauguração da Shams 1 é um avanço para o desenvolvimento de energia renovável no Oriente Médio", disse o CEO da Masdar, empresa de energia dos EAU, Dr. Sultan Ahmed Al Jaber. "Com a demanda de energia aumentando exponencialmente, a região está passando por uma grande transformação na forma como gera eletricidade. Na verdade, o Oriente Médio está pronto para grandes investimentos em energias renováveis, e Shams 1 prova a vantagem econômica e ambiental da implantação de projetos de energia solar em grande escala. "

Mas, talvez mais importante do que a capacidade de geração elétrica da usina seja sua presença nos Emirados Árabes Unidos (EAU), país rico em petróleo. Os países da região do Oriente Médio e Norte da África (MENA) atualmente fornecem petróleo e gás para a produção de eletricidade com preços descontados, como forma de subsídio para os seus cidadãos. Em nações produtoras de petróleo, isso representa receitas perdidas para empresas estatais de petróleo, uma vez que o produto não é vendido no mercado internacional.

Do ponto de vista técnico, usinas heliotérmicas costumam utilizar água em duas funções: limpeza dos espelhos e refrigeração do fluido térmico. Num deserto árido, em que há grande deposição de poeira sobre os espelhos, foi construída uma cerca de sete metros de altura ao redor da planta, para impedir a entrada de ventos diretos e dunas inconstantes. Além disso, caminhões com braços robóticos são empregados para limpar os espelhos reutilizando a água. A Shams 1 também possui um sistema de refrigeração a seco, que reduz significativamente o consumo de água.

O Professor Dr. Olaf Goebell, que participou do processo de implementação da usina, ressaltou, em sua palestra na Escola Internacional de Energia Solar (ISSE 2016), que as dificuldades superadas na implementação da Shams provam que a heliotermia é possível em diversos locais. “Licenciamento e diplomacia são cruciais para realizar um projeto desses, “por isso, os parceiros envolvidos precisam demonstrar força de vontade para executar o projeto.” Goebell ainda finalizou sua palestra dizendo que "se nós fizemos lá, podemos fazer em qualquer lugar".