Visão global de energia sustentável deve considerar dimensão social

Os autores de um estudo, que avalia eletricidade global, dizem que a busca por um futuro mais sustentável não é apenas uma questão de economia e meio ambiente. De acordo com as Nações Unidas, a sustentabilidade "demanda um padrão de vida decente para todos, sem comprometer as necessidades das gerações futuras." Em outras palavras, para limitar o consumo de energia, tanto quanto possível, as considerações sociais também são fundamentais.

Na edição de setembro 2015 da revista Energy, Cartelle Barros e seus colegas propuseram exatamente isso: a produção de um novo modelo para avaliar a sustentabilidade global das centrais elétricas convencionais e renováveis ​​mais comuns. O modelo é baseado no método MIVES (Modelo Integrado de Valor para uma Avaliação de Sustentabilidade), que tem sido aplicado ao design sustentável de estruturas de concreto e à seleção de materiais para uso em calçadas, entre outras aplicações. Esse modelo nunca tinha sido posto em prática no setor da energia.

As melhores opções com base no modelo proposto incluem plantas heliotérmicas, parques eólicos, equipamentos solares fotovoltaicos e usinas mini-hídricas, nessa ordem. No entanto, explicam os pesquisadores, é importante notar que não haverá uma única melhor solução. Em vez disso, a melhor solução para limitar o consumo de energia e atender as necessidades das pessoas vai variar de lugar para lugar com base em vários fatores. Haverá também subjetividade considerável e incerteza na ponderação entre as opções.

"Temos a obrigação de alcançar um consumo responsável com o objetivo de garantir que as gerações futuras possam satisfazer as suas próprias necessidades", Cartelle e seus colegas disseram. "A este respeito, é importante ressaltar que a cada hora e meia o sol fornece o equivalente a toda a energia primária que consumimos anualmente.”

O modelo baseado no MIVES torna possível calcular um único índice global de sustentabilidade para cada tipo de usina de energia com base em uma combinação de fatores ambientais, sociais e econômicos medidos de maneiras completamente diferentes. O método envolve várias etapas: definição do problema a ser resolvido, que estabelece os critérios a serem considerados e sua importância relativa, definindo e avaliando as alternativas de projeto e, finalmente, a tomada de decisões.

Com a exceção de combustíveis de biomassa, o modelo mostra que energias renováveis ​​consistentemente apresentam resultados mais satisfatórios. As análises descobriram que as energias renováveis ​​têm um índice de sustentabilidade entre 0,39 e 0,80, sendo 0 a menor contribuição relativa para a sustentabilidade e 1 sendo a mais alta. Em comparação, os índices de sustentabilidade das centrais elétricas convencionais variou entre 0,29 e 0,57.

Os co-autores do estudo incluem Manuel Lara-Coira, María Pilar de la Cruz-López e Alfredo del Caño-Gochi. O trabalho foi financiado pelo Ministério da Ciência e Inovação espanhol.

 

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