15 mitos sobre a energia heliotérmica

A ESTELA, European Solar Thermal Electricity Association, publicou recentemente o documento “Debunking myths about solar thermal electricity” (Desmascarando mitos sobre energia solar térmica, que desconstrói os principais mitos em torno da heliotermia. O documento completo pode ser visto na sessão de especialistas da Plataforma Online de Energia Heliotérmica clicando aqui.

 

#1 “Energia solar é só fotovoltaica

Existem várias outras tecnologias que usam a energia do sol para produzir calor e eletricidade. Usinas heliotérmicas, por exemplo, usam espelhos para concentrar a luz solar em um receptor de calor. Este calor pode ser usado para aplicações em processos industriais ou para a geração de eletricidade através de turbinas a vapor convencionais. Ao contrário da energia fotovoltaica, que pode ser instalada em telhados, usinas heliotérmicas geram eletricidade em larga escala e conectam-se à rede de alta tensão para a entrega aos usuários finais.

 

#2 “Energia HLT é muito cara e vai ser sempre assim”

Plantas heliotérmicas são mais caras do que as plantas de combustíveis fósseis tradicionais. No entanto, uma vez conectadas à rede, os custos operacionais são baixos -- essencialmente porque a luz do sol é de graça. Além disso, o tempo de vida estimado de plantas heliotérmicas é alto, semelhante ao de centrais nucleares. Por fim, o custo da energia heliotérmica teve uma notável redução de custos -- em torno de 50% -- desde 2007 e deve seguir no mesmo caminho. Estima-se que a energia heliotérmica será competitiva em relação ao carvão e ao gás antes de 2020.

 

#3 “Usinas HLT oferecem energia ‘variável’, como todas as fontes de energia renováveis”

Usinas HLT são, na maioria dos casos, equipadas com um sistema de armazenamento de calor. Durante as horas de sol, a energia solar térmica recolhida é usada não apenas para gerar vapor para a turbina, mas também é armazenada em  tanques de armazenamento térmico. Assim, à noite ou em períodos nublados, o calor armazenado pode ser utilizado para fornecer calor sob demanda. Normalmente esses tanques são projetados para cobrir 4 a 7 horas de operação, mas já existe uma planta de referência – Gemasolar, na Espanha -- que pode produzir eletricidade continuamente durante a temporada de verão.

 

#4 “HLT não é uma fonte de energia viável na União Europeia”

A heliotermia tem um potencial considerável em termos de geração de eletricidade. Uma pequena parte do território norte-Africano (MENA) poderia atender às demandas de eletricidade de toda a Europa, do Oriente Médio e do Norte da África. A energia heliotérmica já representa uma cota de mais de 3% da matriz elétrica espanhola durante uma parte significativa do ano. O sol dos países do Sul da Europa e os ventos litorâneos do Norte poderiam se complementar e fornecer a maior parte da demanda energética europeia em 2050.

 

#5 “Programas de apoio à HLT são caros e ineficientes para a economia dos países”

Os investimentos em plantas HLT trazem benefícios macroeconômicos para os países que seguem esse caminho. A economia local é valorizada e, portanto, a contribuição para o PIB do país é se faz muito relevante, tanto durante o período de construção como durante a operação das usinas. A criação de empregos também é estimulada, uma vez que as plantas precisam de cerca de 50 postos de trabalho qualificado permanentemente para operação e manutenção, além de centenas de operários para sua construção.Nos EUA, um relatório do NREL estima que investir em 100 MW de energia heliotérmica gera 4.000 empregos/ano e $628 milhões em produção econômica.

 

#6 “Plantas heliotérmicas prejudicam a paisagem”

Usinas HLT tendem a ser localizados em zonas industriais abandonadas, em áreas rurais e nos desertos para minimizar o impacto do uso do solo. Plantas de calhas parabólicas são difíceis de serem percebidas como visualmente perturbadoras, já que os coletores não são altos. As torres solares, por outro lado, podem ser vistas de longe, assemelhando-se a um farol. Quando em funcionamento, a visão dos raios solares concentrados no receptor costuma ser apreciado pela maioria das pessoas.

 

#7 “Usinas heliotérmicas precisam de muita terra”

Isto é verdade em comparação com centrais eléctricas convencionais, mas falso em comparação com outras tecnologias renováveis não-solares. O rendimento elétrico das tecnologias solares por unidade de terra é da ordem de grandeza da energia eólica e da biomassa. Além disso, a heliotermia faz uso de abundante recurso solar do deserto. Uma quantidade relativamente modesta de terra do deserto -- de acordo com um estudo realizado em 2003, 1% de cada um dos desertos do mundo -- seria suficiente para abastecer todo o nosso planeta com energia elétrica.

 

#8 “Usinas heliotérmicas precisam de muita água”

Isto é falso, se comparados com fósseis convencionais ou tecnologias nucleares. No entanto, plantas HLT requerem menos água por hectare que atividades agrícolas. É verdade que os recursos hídricos, muitas vezes, são escassos nas regiões propícias à HLT e torres de resfriamento à seco podem ser usadas para o resfriamento do condensador do ciclo de vapor. Além disso, utilizar a heliotermia para a dessalinização da água do mar é uma possibilidade, especialmente em ilhas.

 

#9 “HLT é uma tecnologia pouco madura e, portanto, não confiável”

Plantas HLT provam confiabilidade desde a década de 1980. A primeira aplicação em escala comercial, o Sistema Gerador de Energia Solar (SEGS), continua a operar e produzir 350 MW de capacidade instalada -- o suficiente para abastecer quase 250 mil casas no pico produção. Desde 2007, 2.300 MW foram instalados na Espanha e fornecem eletricidade não apenas confiável, mas que atende perfeitamente a curva de demanda.

 

#10 “A indústria heliotérmica está caindo”

A indústria heliotérmica está crescendo em todo o mundo. O que está caindo é a possibilidade de a indústria europeia manter a liderança nesse mercado. Ainda que, hoje, a Espanha seja o país com maior capacidade heliotérmica, EUA, Marrocos, China, Índia e os países do Norte Africano já desenvolvem ambiciosos planos para a heliotermia.

 

#11 “HLT não é competitiva quando se trata de envelhecimento e reciclagem”

A experiência operacional disponível e a confiabilidade comprovada da heliotermia ao longo dos últimos 30 anos mostram que as plantas HLT têm uma vida útil de mais de 30 anos com perdas mínimas de desempenho. Se mantida corretamente, o tempo de vida de uma planta HLT pode ser mais longo do que as usinas convencionais.

 

#12 “Heliotermia é muito mais complicada do a energia fotovoltaica ou a eólica”

Uma usina heliotérmica não é tão complexa. A parte elétrica das plantas HLT usa peças comuns de geração de energia convencionais -- apenas o campo solar é específico. Ao contrário dos painéis solares fotovoltaicos, que requerem grandes quantidades de materiais escassos, como silício, cobre, índio e seleneto, os componentes elétricos das usinas heliotérmicas são fabricados a partir de materiais comuns duráveis, como aço, vidro, espelhos e tubulação.

 

#13 “Plantas heliotérmicas são um perigo para animais selvagens”

Pássaros simplesmente não se aproximam da irradiação concentrada em plantas de receptor central (torre solar). Muito menos ao longo de cilindros parabólicos. Os registros sobre a mortalidade das aves, portanto, não são significativos. Análises ambientais minuciosas são efetuadas antes de agir sobre o local medidas de prevenção são tomadas em caso de qualquer ameaça potencial para as espécies protegidas (flora e fauna).

 

#14 “Pode ser melhor iniciar programa HLT mais tarde”

Há uma percepção errônea por parte de alguns responsáveis políticos que seria melhor esperar até a heliotermia se tornar competitiva antes de considerar a implantação de plantas em seus próprios países. Pelo contrário: um programa de apoio para STE irá proporcionar retornos positivos imediatos para a economia de qualquer país -- em termos de crescimento do PIB, do emprego e de impostos -- desde a fase de construção.

 

#15 “A indústria heliotérmica está lucrando devido às medidas de incentivo”

Pelo contrário: as empresas assumiram riscos elevados associados aos grandes investimentos, tanto para a construção de unidades de fabricação de componentes heliotérmicos específicos quanto para a construção das usinas. Como as plantas heliotérmicas têm altas despesas de capital, a maioria deles foram financiados com uma alta alavancagem, de modo que os bancos são as entidades que atualmente fazem mais lucro a partir da implantação da heliotermia.

Comentários

em uma area com boa incidencia solar , qual a motivação principal para optar por energia fotovolaica e HTL?

Emanuele, depende da aplicação. Se for para uso domiciliar, geração distribuída, ou usinas de pequeno porte, melhor utilizar fotovoltaica. Mas se for para produção de grade escala, a energia heliotérmica possui diversos pontos positivos se comparados com a energia fotovoltaica como: armazenamento térmico que possibilita geração de eletricidade até nos períodos noturnos (mais barato que uso de baterias), todos os componentes podem ser produzidos aqui no Brasil, alavancando a indústria (é mais barato importar os painéis fotovoltaicos da China), o calor das usinas HLT podem ser utilizadas para gerar eletricidade ou em processos industriais.