“Já é possível avaliar a viabilidade de projetos HLT no Brasil”

A mesa temática “Geração de calor de processo para processos industriais”, que aconteceu em 30 de setembro, no Dia da Indústria Heliotérmica 2015, tratou de como a indústria pode se beneficiar das tecnologias heliotérmicas, utilizando o calor do sol em processos que necessitam de aquecimento. A mesa contou com a participação do Diretor da Industrial Solar GmbH, Christian Zahler (foto), do Diretor Superintendente da Konus Icesa S.A., Gerwin Rudolf Osenjak, e do Consultor da IATech  GmbH, Johannes Schrüfer.

O primeiro convidado a falar sobre o assunto, Christian Zahler, diretor da empresa Solar GmbH, que trabalha com produção e distribuição de energia sustentável, falou que “as pessoas tendem a achar que tudo depende do sol”. No entanto, ao longo dos anos, foram criados mecanismos para garantir temperatura estável na saída do sistema, explicou ele. O diretor explicou que é possível gerar calor com uma tecnologia já consolidada, que pode ser complementada com combustíveis como biomassa ou fosseis. Para isso, as empresas precisam de “mais parceiros locais, projetos comerciais e projetos de Pesquisa e Desenvolvimento”.

Segundo Zahler, “o Brasil é excelente para concentradores solares”. A média de aproveitamento anual é superior a 45%. Na Alemanha, esse valor chega, no máximo, a 30%. No entanto, o diretor da Solar GmbH afirmou que não basta apenas transferir a tecnologia de um país para o outro. “Não queremos colocar tudo num barco e trazer para o Brasil, queremos agregar criando parcerias.” Ao final da palestra, Zahler provocou os participantes: “Vamos conversar e talvez possamos participar da chamada da ANEEL”.

Já o Diretor Superintendente da Konus Icesa S.A., Gerwin Rudolf Osenjak, apresentou o histórico da empresa, que há mais de 50 anos atua com sistemas térmicos e siderúrgicos e hoje é 100% nacional. Osenjak explicou que a empresa trabalha em diversos segmentos, incluindo o desenvolvimento de plantas de energia com queima de resíduos sólidos. Segundo o diretor, a empresa hoje está apostando em energia solar térmica e tem interesse de desenvolver sistemas heliotérmicos para a geração de calor de processos industriais.

O último palestrante da mesa temática, o consultor da IATech  GmbH, Johannes Schrüfer, apontou que uma usina heliotérmica, antes de gerar energia elétrica, produz calor, que pode ser otimizado para processos industriais. Schrüfer apontou que um terço da demanda de energia da indústria é por calor e que, no longo prazo, empreendimentos heliotérmicos compensam os investimentos feitos. No entanto, uma usina se torna rentável quando é construída em escalas maiores, o que pode desestimular o investimento inicial. “Não precisamos nem contar com subsídios, apenas a abertura para financiamento de longo prazo a juros baixos já viabilizaria a tecnologia”, comentou o consultor.  

Johannes Schrüfer se mostrou impressionado com o número de pesquisadores que já trabalham com heliotermia no Brasil. “Já é possível avaliar a viabilidade técnica de projetos heliotérmicos”, disse ele. “Para nós, o Brasil era uma caixa preta, não sabíamos o que esperar. Mas começamos a formar parcerias, falar com clientes, e vimos que a heliotermia é bem recebida entre os atores da indústria”. Schrüfer ainda falou que a IATech GmbH já tem uma noção preliminar dos lugares que podem receber essa tecnologia. “Estou convencido de que aqui se pode fazer muita coisa.”