Projetos de P&D em Heliotermia avançam no Brasil

Foto: Dia da Indústria Heliotérmica 2015

A segunda mesa do Dia da Indústria Heliotérmica 2015: energia solar de dia e a noite abordou Pesquisa e Desenvolvimento das tecnologias heliotérmicas no Brasil. Cinco pesquisadores, representantes das principais instituições de ensino e pesquisa que tratam do tema, participaram da mesa e explicaram a estrutura de seus projetos de pesquisa na área de heliotermia.

A primeira palestra, feita por Odivaldo Jose Seraphim, da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), apresentou o projeto de helióstato com movimentação em arcos, financiado pelo programa Novas Parcerias Integradas – i-NoPa. Seraphim apresentou um modelo de baixo custo de produção, alta precisão de rastreamento e produzido nacionalmente. O projeto vai gerar um norte pioneiro para ser usado nos projetos piloto do projeto SMILE (link).

Em seguida, Celso Oliveira, professor e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), comentou a importância da energia solar para aplicações agroindustriais. Oliveira falou das usinas anunciadas pelo Projeto SMILE e mencionou a necessidade de pensar na HLT com hibridização com biodiesel, mantendo a fonte de energia limpa. O pesquisador ressaltou também que os projetos heliotérmicos devem ser plenamente adaptados às condições brasileiras. Um exemplo disso é a necessidade de desenvolver um desenho especifico de usina para latitudes especificas, não apenas importar projetos prontos.

Representando o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, o Professor José Henrique Martins Neto apresentou a planta de demonstração de 30KW desenvolvida pela instituição. A instalação tem 3 linhas de coletores de calha parabólicas com 3,5 metros de largura e usa óleo sintético como fluido de trabalho.

Já a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) esteve representada no evento por dois pesquisadores: Edson Bazzo e Julio Cesar Passos.

Bazzo afirmou que a região centro-sul apresenta condições solares adequadas para a heliotermia, ainda que não sejam tão altas como as da região Nordeste. Essas condições se tornam ainda mais atrativas se a ideia for gerar calor de processo, que não necessita de níveis de radiação tão altos. Isso porque, nesta área, especialmente no Mato Grosso, há grande produção de bagaço de cana. Assim, a biomassa produzida pode ser usada para girar as turbinas das usinas durante a noite, sem a queima de combustíveis fósseis.

Passos, por sua vez, comentou o projeto piloto desenvolvido pela UFSC. A estrutura em forma de bancada – em que fileiras de espelhos são dispostas ao longo de uma estrutura e o receptor fica numa estrutura mais alta – tem cerca de 30kw de potência. A planta piloto, com base de 12x6m e 4m de altura, gera vapor com temperatura de 220°C.

Após as apresentações, os pesquisadores se encontraram com os outros participantes do evento para falar sobre possíveis parcerias.