Na Itália, queijo é produzido com energia heliotérmica

Na pequena cidade de San Nicolò d'Arcidano, na região italiana da Sardenha, a leiteria Nuova Sarda Industria Casearia produz queijo orgânico desde 1936. Com o objetivo de proporcionar eco-vapor para a demanda de calor dos processos de produção do leite, uma usina heliotérmica com tecnologia Fresnel foi instalada na fábrica em maio de 2015. Por ano, a empresa deixará de usar mais de 50 mil litros de combustível e de emitir 180 toneladas de CO2. Em 2010, já havia sido instalada uma usina fotovoltaica para gerar calor para o processo de produção.

A Nuova Sarda calcula que o investimento deve se pagar em apenas 4 anos. Como a área de espelhos não ultrapassa 1.000 m², a planta é beneficiada pelo incentivo governamental italiano para energia solar, o Conto Termico. O subsídio corresponde a 72 euros anuais por m² ao longo de 5 anos, ou seja, o montante total seria de EUR 358.200. No entanto, como o regime de apoio não permite que os incentivos excedam 65% dos custos de investimento, a concessão ficou limitada a 260 mil euros. Assim, o investimento líquido da empresa para a planta solar foi de 140 mil euros. Além disso, o litro de óleo diesel, combustível utilizado na fábrica, é adquirido por 0,7 euros, o que permite economizar cerca de 35 mil euros por ano.

O fluido de transferência de calor utilizado na usina é a água, que evapora com a radiação solar concentrada e, em seguida, pode ser utilizada no fornecimento de vapor para o sistema de distribuição de calor da fábrica. A produção de vapor foi estimada em cerca de 800 toneladas por ano, com um pico de 600 kg/h, que equivale a 35% do consumo anual da fábrica. Esse vapor atinge uma temperatura de 200°C e uma pressão de 12 bar.

Com área espelhada total de 995 m² e pico de potência instalada de 470 kW térmicos, a planta é formada por 34 módulos de concentração solar dispostos em duas linhas. Cada um dos módulos possui superfície bruta total de 29 m². Para visualizar a planta, assista o vídeo abaixo.