Mortalidade de aves em Ivanpah (EUA) fica abaixo das previsões

A Comissão de Energia da Califórnia lançou em abril o Relatório Anual do Plano de Monitoramento de Aves e Morcegos da usina Ivanpah (Califórnia, EUA), exigido pelas agências de licenciamento estaduais e federais e preparado pelos consultores ambientais da HT Harvey e Associados.

De acordo com o relatório, foram feitas 695 detecções de aves - e outros 8 pássaros feridos foram encontrados - ao longo do primeiro ano de funcionamento da usina, entre outubro de 2013 e outubro de 2014. Detecções de aves não significam necessariamente aves mortas, mas fatalidades presumidas com base em plumas encontradas nas localidades, com as quais se chegou a um número estimado de 3.504 aves feridas. A contagem passou longe das estimativas apresentadas pelo Centro para Diversidade Biológica dos Estados Unidos, que chegou a falar em 28 mil aves mortas no primeiro ano de operação de Ivanpah.

Das 3.504 mortes estimadas, o provável é que pouco menos de 1500 tenham sido causadas diretamente pela usina – seja por queimaduras, colisões com estruturas ou aprisionamento na estrutura da usina. Por não mostrar nenhum sinal dessas causas de morte específicas, a HT Harvey levantou a possibilidade de que pelo menos 2.000 dessas mortes não estejam relacionadas à usina.

Durante uma reunião do Comitê Técnico para Aves e Morcegos de Ivanpah, realizada no dia 06 de março de 2015, a HT Harvey observou ainda que há chance das mortes serem superestimadas, já que a modelagem de estimativas não considera que mais de uma pena possa ser de um único pássaro.

Ainda que a questão pássaros feridos seja um problema a ser trabalhado pelos empreendimentos heliotérmicos, a HT Harvey também revelou que havia um número cinco vezes maior de aves nos arredores do campo solar de Ivanpah do que propriamente sobre ele. O estudo sugere que os pássaros estejam começando a desviar da usina durante o voo, o que deve reduzir ainda mais o número de aves afetadas nos próximos anos.

A controvérsia teve seu ápice durante os primeiros testes da usina Crescent Dunes (Nevada, EUA). No dia 14 de janeiro de 2015, 3 mil espelhos em modo stand by (quando não direcionam a radiação para a usina) foram focados em um único ponto no céu, criando uma auréola luminosa no ar. De acordo com o relatório apresentado pela consultoria da Stantec, “o calor era tão intenso que as aves que cruzavam esse ponto foram imediatamente queimadas”. Aproximadamente 115 mortes foram registradas entre 11h15 e 15h30 do mesmo dia.

A solução para o problema, no entanto, foi simples: "o que fizemos foi distribuir [os raios solares] ao longo de várias centenas de metros, para que qualquer ponto ficasse seguro para as aves", disse o CEO da SolarReserve, Kevin Smith, ao site SolarTechnica. "Essa mudança parece ter corrigido totalmente o problema. Nós tivemos zero mortes de aves desde que implementamos essa solução em janeiro, apesar de mantemos os espelhos na posição de stand by na maior parte dos dias desde então."

As primeiras torres heliotérmicas comerciais foram construídas na Espanha. A Gemasolar, por exemplo, é um projeto relativamente pequeno, com capacidade de 20 MW, mas com 15 horas de armazenamento. O empreendimento não registrou o mesmo problema em relação às aves, segundo Nicolas Calvet, que lidera o grupo de Armazenamento de Energia Térmica no Instituto Masdar de Ciência e Tecnologia, parte do consórcio que ajudou a desenvolver a usina. Tal fato aponta que a inclusão de armazenamento térmico contribui para a prevenção da mortalidade das aves, reduzindo a necessidade de focagem heliostato em posição de espera durante o dia. O perigo em potencial, em resumo, está nos pontos de focagem dos espelhos em stand by - e só quando 3 mil "sóis" estão concentrados num único ponto