Oficina sobre aspectos ambientais em torno da Heliotermia

A Oficina Técnica “Aspectos Ambientais das Energias Heliotérmicas” foi realizada em Brasília, nos dias 26 e 27 de novembro de 2014, e contou com a participação de diversos representantes dos setores público e privado, incluindo organizações como Petrobrás, CHESP, CEPEL, IBAMA, entre outras. O evento foi realizado pela Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável por meio da Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, e os ministérios do Meio Ambiente e da Tecnologia, Ciência e Inovação.

A mesa de abertura do evento (foto) contou com a participação do Secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Carlos Augusto Klink, e o coordenador de Tecnologias Setoriais de Energia da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, do MCTI. Ambos levantaram a questão da diversificação da matriz energética brasileira, sem deixar de lado as questões ambientais, como meio para uma geração mais segura de energia para o país.

Ao longo do evento, foram apresentados os projetos heliotérmicos em desenvolvimento no Brasil e analisados alguns exemplos de outros países. A partir das informações fornecidas, os participantes discutiram a adaptacao do licenciamento ambiental ao contexto brasileiro.

Johannes Schrüfer, especialista em sistemas heliotérmicos da empresa de consultoria IA-Tech e palestrante do evento, se disse impressionado com a o nível de preparo dos profissionais ligados a projetos heliotérmicos no Brasil. “A qualificação dos profissionais presentes, com diferentes históricos e motivações, foi muito frutífera para a discussão sobre os desafios da implementação da heliotermia no mercado brasileiro”. Ele ainda complementou: “Trazer nossas experiências para profissionais locais, com diferentes pontos de vistas, é um elemento chave para dar mais um passo em direção à introdução consciente da heliotermia no Brasil”.

Além de Schrüfer, outros dois palestrantes alemães apresentaram experiências internacionais na área: Christian Beltle, projetista de diversos empreendimentos heliotérmicos no mundo; e Henner Gladen, especialista para tecnologias inovadoras e desenvolvimento de projetos estratégicos no setor de meio-ambiente e energias renováveis.

O destaque para o segundo dia de evento foram atividades com o objetivo de discutir e simular os processos de licenciamento ambiental. Os participantes foram divididos em dois grupos de discussão a partir de dois pontos de vista distintos: dos engenheiros de projetos e dos ambientalistas. Após a discussão, os dois grupos se reuniram novamente para apresentar e comparar os resultados obtidos. Após a atividade, Francisco Miller, consultor técnico da Petrobrás para a área de energias renováveis e eficiência energética, comentou que “o licenciamento para a área de renováveis é caminho crítico em qualquer projeto. Ainda falta conhecimento, mas podemos aproveitar as experiências anteriores para começar a fazer a coisa certa num tempo que atenda às necessidades dos empreendimentos.”

Sobre o potencial da energia heliotérmica para o Brasil, Johannes Schrüfer afirmou que, ainda que o país não seja dependente apenas de combustíveis fósseis, “o futuro não é estático em relação aos cenários de consumo de energia. Tendo isso em mente, a heliotermia poderá ter um importante papel na diversificação da matriz energética brasileira, evitando, assim, as experiências ruins que outros países já enfrentaram”.