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Usinas HLT fazem mal ao meio-ambiente?

Nenhum empreendimento energético de grande porte está isento de causar prejuízos ambientais. No entanto, os impactos causados por uma usina heliotérmica são considerados baixos quando comparados a outras formas de geração elétrica. Entre os impactos causados estão: ocupação do terreno, consumo de água, risco de vazamentos e dano às aves somente no caso de usinas com torres centrais. Pesquisadores já estão trabalhando no desenvolvimento de soluções desses problemas para, cada vez mais, minimizar os prejuízos causados.

Por necessitar de uma área extensa e relativamente plana, muitas vezes é preciso realizar terraplenagem e remoção de árvores e arbustos da região. As áreas mais indicadas para a instalação de usinas heliotérmicas apresentam alta incidência de radiação durante o ano inteiro e geralmente são áridas ou semiáridas, apresentando baixa densidade de vegetação.

Na heliotermia, água é utilizada para gerar vapor, limpar os espelhos e refrigerar a usina. Porém, em áreas favoráveis às usinas heliotérmicas, a água muitas vezes é escassa. Por isso, pesquisadores já estudam novas formas de aproveitamento mais eficiente desse recurso. Robôs, por exemplo, podem ser utilizados para realizar a limpeza dos espelhos, minimizando o volume da água aplicada. Para a refrigeração do ciclo água/vapor, onde ocorre o maior consumo de água, podem ser utilizadas torres de resfriamento secas, reduzindo o consumo hídrico em até 10 vezes; no entanto, essa tecnologia é mais cara e reduz a eficiência da usina.

O óleo térmico, fluido de trabalho de algumas usinas HLT, deve ser tratado com bastante cuidado, pois é inflamável e, caso tenha contato com o solo, pode ser nocivo ao meio-ambiente, Ainda que alguns tipos de óleo sejam biodegradáveis e facilmente removíveis em caso de vazamento, inspeções e manutenções preventivas e corretivas devem ser realizadas com frequência. Atualmente, existe uma tendência de substituição dos óleos térmicos por sal fundido, que não é tóxico e se solidifica quando exposto a temperatura ambiente. Assim, se houver algum vazamento, é possível coletar o sal com uma pá.

Um novo efeito colateral identificado nas usinas de torre solar é a morte de aves por queimaduras. Diferente do esperado, muitas aves não desviam o curso de voo ao se depararem com usinas heliotérmicas de torre central. Ao passar por regiões onde a concentração solar é elevada, elas podem sofrer queimaduras nas penas, impossibilitando o voo. Pesquisadores já estão estudando esse comportamento e desenvolvendo ferramentas para afastar as aves dessas regiões. Uma possível solução é a emissão de sinais acústicos que imitam os sons dos predadores dessas aves.

Ainda que existam alguns possíveis impactos ao meio-ambiente, em um balanço geral, as usinas heliotérmicas geram eletricidade de forma limpa e segura quando comparadas a outras formas de produção de energia: não emitem gases poluentes como as usinas térmicas; não produzem subprodutos perigosos como as usinas nucleares; e sua construção não destrói o habitat de várias espécies de fauna e flora, como acontece com as usinas hidrelétricas. Assim, a heliotermia se mostra uma excelente opção para complementar a base energética brasileira.

Fonte:
-Foto: Limpeza dos espelhosWorld Bank Photo Collection - CC BY-NC-ND 2.0
-Foto: Pôr do sol - Plataforma Online de Heliotermia